Estiagem castiga a região: Em marca crítica, Rio Gravataí tem captação suspensa pela segunda vez em uma semana para não faltar água para a população

Rio Gravataí, quase seco. Foto: www.seguinte.inf.br

A captação de água do Rio Gravataí para irrigação foi suspensa novamente nesta quarta-feira, 5 de fevereiro, menos de uma semana após a primeira interdição, em meio a uma estiagem histórica que ameaça o abastecimento de cerca de um milhão de pessoas na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A medida, anunciada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), visa priorizar o consumo humano em municípios como Viamão, Alvorada e Gravataí,, onde o rio é vital para o abastecimento público. Na tarde desta terça-feira, 4, o Rio Gravataí registrou 1 metro e 29 centímetros na estação de monitoramento de Alvorada, um centímetro abaixo do limiar crítico de 1,30 metro, que define a suspensão de captações não essenciais.

Em Gravataí, o nível chegou a 66 cm na última semana, próximo da marca de 50 centímetros que caracteriza emergência. A situação reflete a escassez de chuvas e o aumento da demanda, agravada pelo fenômeno La Niña, que mantém o clima seco no estado. A Sema reforçou que a fiscalização será rigorosa: equipes do Departamento de Recursos Hídricos, Brigada Militar e Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) atuarão para garantir o cumprimento das regras. Multas para desperdício de água em áreas urbanas podem chegar a R$ 535,00, conforme decreto municipal de 2022.

Agricultura e abastecimento

A suspensão afeta diretamente 1,5 mil produtores rurais em Gravataí, e parte da produção rural de Viamão que também utiliza a água do rio, muitos deles da agricultura familiar. Embora parte tenha poços artesianos e açudes, a irrigação por meio do rio é essencial para cultivos como arroz, soja e milho. O secretário municipal de Meio Ambiente do município vizinho, Denner Gelinger, destacou a necessidade de conscientização: “Acreditamos que o fundamental seja evitar o risco de desabastecimento para as pessoas”.

No estado, 37 municípios já decretaram emergência devido à estiagem, com prejuízos à agropecuária. Em Santiago, por exemplo, 57 mil hectares de soja foram afetados, enquanto Maçambará registrou queda de 45% na produção de milho.

Histórico de medidas e incertezas

Esta é a segunda suspensão em sete dias. A primeira ocorreu em 29 de janeiro, quando o nível do Gravataí em Alvorada atingiu 1,28 metro, abaixo do mínimo técnico para usos não essenciais. Desde então, a Sema emite boletins diários monitorando o rio, mas não há previsão de normalização. Para retomar a captação econômica, o nível precisa subir para 1,60 metro em Alvorada e 80 centímetros em Gravataí.

Enquanto isso, a população é orientada a evitar lavagem de calçadas, veículos e uso excessivo de mangueiras. “Temos um período anual de estresse hídrico até março. É fundamental controlar o desperdício”, reforçou Gelinger.

Contexto nacional e futuro incerto

  • A crise no Rio Grande do Sul reflete um cenário nacional: secas e estiagens representam 44% dos desastres ambientais no Brasil, com áreas em risco de desertificação.
  • No Gravataí, além da baixa vazão, problemas como assoreamento e poluição na foz (classificada como Classe 4, a pior qualidade) comprometem a vida aquática e a pesca pós-piracema.
  • Especialistas defendem investimentos em infraestrutura hídrica e revitalização da bacia, mas, por enquanto, a esperança está nas chuvas — e na cooperação da população para preservar o Gravataí.

Leia também

Suspensa captação de água por fazenda que drena do rio Gravataí equivalente ao abastecimento de 75 mil pessoas

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Comunicação moderna

Para aqueles que tem mais de 70 anos como eu, causa estranheza esta linguagem moderna de tudo. Principalmente nos computadores. Alguém já recebeu em sua telinha, frases curiosas tipo: “Prove

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook