Governo do Estado decreta emergência em saúde pública para enfrentar aumento de hospitalizações por doenças respiratórias e investe R$ 20,8 milhões na Operação Inverno Gaúcho

Unidade de Prongto Atendimento de Viamão, a UPA 24 Horas, foi contemplada com T$ 1590 mil pelo governo do Estado. Foto: Reprodução/www.simers.org.br

Recursos devem ser aplicados na atenção primária e nas unidades de pronto atendimento. Em Viamão, a UPA 24 Horas foi contemplada com R$ 150 mil.

O Governo do Estado decretou emergência em saúde pública como forma de prevenção e enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente em crianças. O decreto, assinado pelo governador Eduardo Leite nesta segunda-feira, 19 de maio, foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira. Já foi anunciado neste mês pela Secretaria da Saúde (SES) um investimento de R$ 20,8 milhões na Operação Inverno Gaúcho, a serem aplicados na atenção primárias e nas unidades de pronto atendimento (UPAs).

A medida foi adotada diante do aumento expressivo de casos e da demanda nos serviços de emergência, com filas de espera, o que representa elevado risco à população. Segundo a secretária da Saúde, Arita Bergmann, a decisão visa a fortalecer a rede hospitalar, com a preparação e disponibilização de leitos de UTI e suporte ventilatório. Com o decreto, as redes hospitalares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem priorizar medidas emergenciais para a oferta de leitos clínicos e de terapia intensiva voltados a casos de síndrome respiratória.

  • A validade do decreto é de 120 dias, a contar da data de publicação.

De acordo com dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), divulgados no painel disponível no site, o Rio Grande do Sul registrou neste ano, até esta segunda-feira, 4.099 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Essas internações foram causadas por infecções como influenza (gripe), covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR), entre outros. Do total de casos, 305 evoluíram para óbito. Entre as crianças menores de cinco anos, foram registradas 1.374 internações e 10 mortes.

Riscos

O documento destaca o risco de esgotamento da capacidade de resposta do sistema de saúde, especialmente na infraestrutura voltada ao atendimento pediátrico, o que pode levar à saturação do SUS. Esse cenário é agravado pela epidemia de dengue que também atinge o Rio Grande do Sul. O decreto justifica a decisão em razão do significativo aumento nas internações por síndromes respiratórias nas últimas semanas. Na Semana Epidemiológica 14 (de 31 de março a 5 de abril), foram registradas 194 hospitalizações.

Já na Semana 18 (de 28 de abril a 3 de maio), o número dobrou, chegando a 392. Na Semana 19 (de 4 a 10 de maio), os registros subiram ainda mais, totalizando 451 hospitalizações. Como os casos são contabilizados pela data de início dos sintomas, os números da Semana 20 (de 11 a 17 de maio) ainda estão sendo consolidados e aumentarão conforme acontecem as notificações. Entre os vírus responsáveis pelas internações, a influenza (gripe) teve um crescimento expressivo.

Na Semana 14, foram registrados 9 casos causados pelo vírus influenza, número que saltou para 116 na Semana 18 – um aumento superior a 1.100%. Em 2024, a gripe causou 526 hospitalizações e 43 óbitos no Estado. Outro importante agente é o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 495 hospitalizações neste ano, das quais 95% (471) ocorreram em crianças com menos de cinco anos. A atual circulação simultânea de diversos vírus respiratórios, somada à tendência natural de aumento dos casos durante o inverno, contribui para o agravamento da situação das SRAG no Estado.

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