A mesma indiferença: Eduardo Leite rasga sistema de bandeiras e abre caminho para volta às aulas; Os mal-educados não se importam com os professores

Governador Leite realizou por videoconferência reunião com prefeitos e deputados e com o Gabinete de Crise | Foto MAURÍCIO TONETTO | Palácio Piratini

Eduardo Leite criou a brincadeira. Agora que perdeu no "discordar" jurídico o direito de fazer as regras, recolheu a bola. É assim, feito criança birrenta, que o governador demonstra tratar a pandemia de COVID-19 no Rio Grande do Sul.

O chefe do Executivo estadual foi um dos únicos a peitar a fúria negacionista que marca essa crise de saúde no Brasil. Mas ao que parece agora, não foi por convicção. Talvez a aparente lucidez fosse apenas um alinhamento político imposto pelo partido (PSDB) do governador de São Paulo, João Dória.

Leite e o colega tucano do Sudeste criaram seus mapas coloridos, cheios de fases e faz de conta. O "modelo gaúcho de distanciamento controlado", pioneiramente apresentado por seus universitários como a ciência contra o coronavírus, tinha coisas boas e ruins – da balela do "todos os devidos cuidados necessários serão adotados" ao momento de restrição total de atividades. Mas a pressão econômica venceu. 
Mais uma vez.

Para permitir a volta às aulas, o tucano do Sul e aspirante a candidato a presidente está desfazendo o sistema de bandeiras. Sim, Leite anunciou no fim desta tarde (27) que não quer mais "brincar" de cuidar da Saúde. 

A informação desta terça é que o Rio Grande do Sul inteiro está em bandeira vermelha a partir desta quarta, três dias depois do mesmo governador colocar todos os municípios pela 51ª semana em bandeira preta, de altíssimo risco de contágio. Depois disso, em 10 de maio, data em que completa um ano em vigor, o sistema será extinto.

– Depois de ter cumprido seu papel, ter dado colaboração para análise de riscos e estabelecer protocolos de forma pioneira no Brasil, vamos substituir esse modelo por outro, mais aprimorado e adequado a essa nova fase que estamos vivendo na pandemia, mas sempre colocando a proteção da nossa população, a sua vida e a sua saúde como prioridade e buscando conciliar essa proteção como a manutenção das atividades econômicas, que são essenciais para que as pessoas possam cuidar das suas famílias – afirmou o governador.

No discurso "após análises de técnicos e especialistas do Gabinete de Crise", o governo decidiu ajustar a salvaguarda da bandeira preta no Estado: continuará existindo, mas passará a ser acionada apenas quando o indicador de leitos atingir o índice de 0,35 depois de um ciclo de 14 dias de piora na disponibilidade. A trava será desativada quando se observar um ciclo de pelo menos 14 dias de melhoria na ocupação hospitalar (leitos de UTI).

Em outras palavras, como diz o dito: Leite "jogou a água do banho com a criança dentro".

 

Volta às aulas:

 

Se nada mudar, ressalva que faço por conta de tanta insegurança jurídica, as aulas do ensino infantil e do primeiro e segundo ano do ensino fundamental estão autorizadas presencialmente a partir desta quarta-feira (28). Em Viamão, as escolas particulares já podem abrir amanhã. Nas públicas, a Prefeitura confirma que estão valendo as orientações dadas por Valdir Bonatto na sexta-feira (23): a rede municipal terá permitidas as atividades presenciais a partir de 5 de maio para a Educação Infantil, e 6 e 7 de maio para os 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, respectivamente.

– Precisamos da escola. A Educação Infantil e Fundamental, primeiros e segundos anos, já pode recomeçar suas atividades, de forma organizada, com distanciamento, com os protocolos, com os cuidados, e restabelecer a relação da aprendizagem e da convivência – afirmou o prefeito Bonatto, em live na ocasião.

 

Como canta Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) em Ninguém = ninguém:

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente sinta
(Se é que sente) A mesma indiferença

 

O trecho da letra reproduzido acima retrata bem o momento: as redes estão cheias de opiniões, as ruas tomadas de gente sem cautela e repletas de egoísmo. Se fala das escolas, se fala das crianças, se vê um monte de pais mal-educados pedindo educação para os filhos, só não se fala em vacinar professores. Em comum a todos, apenas a mesma indiferença.

 

Assista às justificativas do governador:

 

 

 

Colaborou Rafael Martinelli

 

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O jeitinho de Leite: Viamão volta à bandeira vermelha; O Ministério da Verdade decreta a Mentira

 

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