É Coronavac "na veia"! Com uma mistura de alívio e preocupação, compartilho com o mundo que já corre no corpo do meu velho avô paterno a vacina contra a COVID-19. O patriarca da família, Zilmar Lima de Abreu, na iminência dos 89 anos de uma vida retirante que lhe rendeu sérias complicações respiratórias, ganhou hoje (29) a primeira dose de esperança.
Não será a pandemia a tirá-lo do nosso convívio. Ele, seus oito filhos, netos, bisnetos, genros, noras... todos respiram agora um pouco mais aliviados. Ainda falta minha avó, faltam milhares de avós e avôs Viamão afora, mas é um baita começo.
Aguentem firme, logo mais já vai passar!
Na segunda metade do século passado, o "véio Zilmar", como carinhosamente o chamamos hoje em dia, foi embora da desprovida Vila da Olaria, em Porto Garibaldi. Trocou a beira do rio e a testa do forno, onde deixou boa parte da saúde transformando barro em tijolos, pelo sonho de uma vida melhor na "cidade grande". Partiu daquele lugarejo, hoje quase todo engolido pelo Polo Petroquímico, em uma canoa. Ele, a esposa, Maria Antônia, e os primeiros da prole. Não tinham muito mais do que mudas de roupas a tiracolo.
Após trocar de endereço algumas vezes, seu Zilmar parou em Alvorada, que naquela época abandonava o nome de Passo do Feijó ao se emancipar de Viamão. Encaminhou os filhos, ganhou o sustento na CEEE, onde aposentou-se.
A opção por Alvorada veio do baixo valor da terra e de melhores condições para honrar a dívida que assumiria. Fora isso, a cidade não lhe ofereceu facilidades. Luz e água encanada eram luxos para poucos nos anos 1960. Rede de esgoto só passou no portão de casa no fim dos anos 1970. O saibro só cedeu lugar ao asfalto no ainda recente 2004.
Quem diria que em 2021 uma das cidades mais pobres do Estado proporcionaria a meu avô uma vantagem e tanto: o véio Zilmar, que assim como seus mais de 200 mil vizinhos é estigmatizado por ter escolhido Alvorada para viver, está entre os primeiros idosos gaúchos imunizados contra o coronavírus.
Pois a cidade que só é vista pela mídia quando a pauta envolve violência é uma das primeiras do RS a ter todos os profissionais de saúde, residentes em casas de repouso e outros prioritários vacinados. Por isso se organizou e montou um cronograma detalhado para ampliar a oferta da imunização aos demais idosos. Não foi preciso nem descer do carro.
Mesmo com inúmeros defeitos administrativos, Alvorada saiu na frente de Viamão. Mais uma vez.
Sim, não é de hoje que destaco que os vizinhos que decidiram separar-se da Velha Capital estão indo melhor. Disse outras vezes e repito: Alvorada compartilha de muitas das dores de Viamão. Ambas são pobres, carentes, subdesenvolvidas e abrigam mais de 200 mil moradores. Contudo na política, mesmo longe de ser o modelo perfeito, a vizinha que derivou de nossas terras está léguas adiante.
No referente à pandemia, o entrave não é apenas o modus operandi da política de Viamão, que já tratei em outras colunas. O negacionismo que vem de contrapeso freia o avanço da única coisa capaz de prevenir a doença e evitar mortes: a vacina. Não me refiro ao prefeito ou ao núcleo duro da Administração, mas ao entorno...
Nesta tarde (29), Valdir Bonatto está na Saúde tratando da vacinação. Aguardamos com ansiedade o anúncio de definições locais sobre datas, horários, endereços e faixas etárias, mas nos bastidores, a palavra mais usada é cautela.
Na falta de novidades, volto a meu avô para justificar a preocupação que ainda me acompanha. O seu Zilmar está em uma idade sensível, tem enfisema pulmonar, problemas circulatórios e necessita para sobreviver de mais medicamentos do que o Inter de pênaltis duvidosos marcados a seu favor. Ele simboliza a condição de milhares de idosos já numa etapa frágil da vida. E assim como a minha família festeja, quero que mais e mais pessoas vejam seus avós saudáveisa partir da vacina.
Eles não têm tempo a perder. Não podem mais esperar pelo "dia D" e a tal "hora H" de forma indefinida.
Amanhã (30), por volta de 11h45min, Valdir Bonatto promove live para falar sobre os primeiros 30 dias de gestão. Seria uma ocasião perfeita para mostrar que a decisão de o prefeito assumir a Saúde de Viamão foi "um golaço".
Daqueles sem VAR e sem pênalti.
Campanha de divulgação criada pela prefeitura da cidade vizinha





