Era um domingo destes sem muita atração. Úmido, nublado e chato. Cadê a inspiração? Ela não chegava. Por mais que a buscasse. Resolvi dar uma volta na praia, estilo solidão, sussurrando uma musica de Lupiscinio Rodrigues.
A ideia era caminhar rente ao mar com destino até o Farol na divisa de Capão da Canoa com Araçá. Fui. Mas o farol também estava longe. Abreviei. Desistindo da longura do Farol. Fui olhando e me contentando com o que o mar apresentava para os meus olhos. Muita coisa. Tudo jogado na praia.
Eram restos de madeira, galhos de arbustos desconhecidos, conchas partidas e um barquinho de Iemanjá, mostrando a fé e a religiosidade do povo brasileiro.
O barquinho estava ancorado na praia, como se não tivesse sido aceito. Ou uma devolução involuntária, sem muito sentido.Depois ondas e ondas. Chegantes e chegadas.
Em burburinhos, em pressas, em círculos, em espumas. Bem longe e na transparência de uma praia de abril, surge um casal. Ah…pessoas especiais! Como são necessárias para o nosso convívio.
A pureza do ar do mar é revigorante, a solidão às vezes apetece,a falta de inspiração para quem escreve é instigante.Mas um bom “papo” com gente civilizada e inteligente é o máximo da perfeição.
Nos apresentamos. O casal chama-se Sandra e Pena Cabreira. São de Porto Alegre e vieram curtir o final de semana na praia. Foi tão bom conhecê-los! E ao longe,bem ao longe, o Farol de Araçá, quase me chamando. Não fui. Era muito longe de onde eu estava.
Mais uns 300 metros e cansei. Olhei entre as espumas da próxima onda e enxerguei uma estrelinha. Que final feliz!
O mar e a Mamâe Iemanjá estavam me ofertando um presente. Guardei a estrela com carinho. E senti que a inspiração pode chegar através de um mimo e do prazer de encher o pulmão de ar puro. O que mais devo querer de felicidade? (Ana D´Avila)


