Ana D´Avila | A idade da filosofia

Pensar e refletir. E não chegar à conclusão nenhuma. Esta é a rotina. Dia-a-dia de quem passou pela vida e viveu. Ou não, como diz Caetano Veloso. Acredito que a filosofia e a reflexão, começam a despertar um certo prazer com sapiência, somente quando já se passou dos 60 anos de idade.

Pois antes disto, nos dispersamos em relacionamentos, prazeres e trabalho para o nosso sustento. É tempo de provar a tudo e a todos que somos alguém. Acreditar que somos especiais. Neste contexto, nos desautorizamos como filosófos. Isto tem um nome: estilo. Não é filosofia.

Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Quanto mais vivemos, mais experiências filosóficas adquirimos.

Depois dos 60 anos chega-se a real satisfação de um copo de vinho, dos amigos, do pensar no infinito da vida. E, na eternidade. Expandindo a mente, pensamos: será que tudo isto existe? Ou é só invenção da nossa vida cheia de incógnitas. E das nossas rugas, que envergam os cotovelos, mas não o nosso interior. Que fazem o olhar ficar pesado, mas que mantém na íris o brilho da existência.

Há beleza no envelhecer. Claro que há. Há dias luminosos que nos desafiam a entrar no mar. Tomar um banho salgado. E exibir, sem pudores, um corpo já meio desgastado. Mas ainda cheio de saúde e boas energias. Por que não sucumbir ao belo, ao prazer maduro, à reflexão e à filosofia? Que sem sombras de dúvidas, na maturidade, chega mais fundamentada. Viver é usufruir de conhecimentos. Que sempre se adquire. Neste caso, independente da idade. Vai do zero ao infinito.

Ainda vale a pena pensar, duvidar, estudar e tentar entender a vida. Viajo nos "Cafés Filosóficos". Sei que eles nos trazem inquietações. Não elucidam o fundamental. Mas nos dão ferramentas de entendimento. E nos entretem. Nas duvidosas e nebulosas fases da vida.Para que nasceríamos,viveríamos e morreríamos se não houvesse um sentido? Uma verdade. Um piscar de olhos e uma inquietante forma de passar os dias. As estações e aos anos. Que sempre atropelarão nossos passos em direção à verdade. Mesmo que sejamos  somente pó das estrelas, como apregoava Carl Sagan. Ainda assim e, sempre, valerá a pena pensar. E mergulhar nas suposições e profundezas da alma .Como Voltaire, Rousseau, Diderot. Sócrates e tantos outros que mergulharam.(Ana D´Avila)

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