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Ana D´Avila | Sensações

Aquela manhã tinha um cheiro de mato. Um pouco de maresia, outro de inquietação. No quarto, um ser de luz dorme tranquilo em meio aos seus sonhos. Ora de alegria ora de tristeza. Já nem conseguia identificar quais os momentos felizes. No atropelo da vida, em vez de bom dia, balbuciava um idioma atrevido. Não sei se falava grego ou português. Mas falava. E eu, não entendia.

Agora passado um ano, já antevia, que não poderia viver sem ele. Como esquecer aquelas gargalhadas . Como esquecer. Como fingir que ele não existia. Ele era pura emoção, correria e mar. Por que não amar. Lágrimas rolavam com ou sem ele. Muitas vezes, compartilhadas.

Assim,  iam vivendo a vida. Dádiva de Deus, obra da criação. Muitas vezes paravam no início da noite para refletir. Por que muitos suicidam-se. Por que num ataque de culpa ou sofrimento  ousam dar um fim a experiência terrena. Nada é definitivo. Nada é tão perfeito para uma opinião. O fato é: nascemos. Temos que encarar a vida como um desafio.

E a sensação de ter vivido uma grande festa de ano, levava ambos para um mundo incógnito. Talvez misterioso,nas contradições de percepções e alucinações. Uma delas é transpor-se para o mundo do mar. E imaginar vozes saindo dele como se fosse o próprio réveillon. Testemunhavam o que se transformava numa festa de arromba.Milhares de pessoas vestidas de festa circulavam pela avenida que terminava na praia.

O que seria mais importante: viver sensações ou se eximir delas.(

Da janela,viam-se pessoas caminhando em silêncio. Crianças ve stidas de branco e uma ligeira e rápida percepção de vazio. Talvez o vazio existencial de que falam os poetas e os filósofos. Do alto do apelo dos pensadores só indagações.

Ninguém nunca definiu nada. E doutrinas explicam tudo. Porque nascemos, para onde vamos ao morrer e o porque dos suicidas.

Não posso definir nada. Só as festas.  No sol trazendo esperanças toda manhã.  E neste novo ano que se inicia.(Ana D´Avila)

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