Discursos do passado e do presente

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.”  

Em 1940, Charles Chaplin produziu o filme O Grande Ditador. É uma comédia em pleno período de guerra. Crítica evidente aos regimes totalitários que despontavam na Europa. Duas cenas me marcaram. A primeira é a imagem do ditador deitado sobre uma mesa brincando com o planeta Terra na forma de uma bola; a outra é o último discurso. O texto atravessou o século 20 e chega com atualidade desconcertante. Foi usado no evento de premiação a jornalistas realizado nesta semana pela Revista Press, que teve como tema “O Poder da Palavra”.

Não sou crítica de cinema. Tenho admiração pelo filme e o texto final evidencia a genialidade de Chaplin. Naquele tempo entre guerras ele falou em esperança na humanidade. Também me apego a esse sentimento diante das atuais barbáries.

Você pode ver no YouTube a íntegra do discurso. Selecionei dois trechos que me tocam particularmente. Este é um deles:

“Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.”

Este é o outro:

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

Precisamos olhar o outro com generosidade. Precisamos de esperança e, como disse o criador do antológico personagem Carlitos, temos “o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa.”

Vamos tentar?

 

Assista ao discurso

 

 

 

 

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