Ex-aluno do Walter Jobim na presidência da Assembleia

Nesta terça, o deputado Edgar Pretto, do PT, assume o comando da Assembleia Gaúcha – em meados dos anos 80, sua casa era na Santa Isabel, em Viamão

 

Em janeiro de 1986, quando o pai Adão estava prestes a assumir o primeiro mandato de deputado estadual, Edegar Pretto resolveu deixar a roça em Miraguaí, perto da fronteira do Estado com a Argentina e com Santa Catarina, no Noroeste gaúcho, e vir com a família para Viamão e ficar raízes na "cidade grande", como se  dizia na época.

– A gente vivia no interior quando o pai se elegeu – conta Adão Pretto Filho, irmão de Edegar e vereador em Viamão, que só viria a nascer em 1987, ainda em Miraguaí.

– Aí a gente escolheu Viamão porque achou que morar direto em Porto Alegre seria um choque muito grande.

Edegar, que com 15 anos foi matriculado no ensino médio da escola Walter Jobim, na Santa Isabel, 30 anos depois toma posse amanhã como presidente da Assembleia Legislativa gaúcha.

 

Repetindo a história do pai

 

Deputado eleito em 2010 e reeleito em 2014, sempre o mais votado do PT, Edegar Pretto segue os passos do pai, Adão – que além de deputado estadual, foi eleito em 1990 para Câmara Federal e não saiu mais até 2009, quando perdeu a luta pela vida contra uma pancreatite aguda.

– O pai sempre foi um homem ligado ao campo. Morreu defendendo o pequeno produtor, a reforma agrária, os homens e as mulheres do campo – conta Adão Pretto Filho.

Edegar segue o mesmo caminho – mas amplia as bandeiras de luta do pai. Ele integra o comitê brasileiro do Eles por Elas, um movimento internacional que combate a violência dos homens contra as mulheres e ganhou visibilidade no país em campanhas patrocinadas pelo canal de TV GNT.

 

Edegar e o Movimento Eles por Elas contra a violência às mulheres

 

Viamão e os primeiros passos na política

 

Enquanto o pai foi deputado estadual, Edegar dedicou-se aos estudos no Walter Jobim. Em 1990, quando Adão conseguiu o primeiro mandato de deputado federal e levou a bandeira do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra para o Congresso, Edegar começava na Capital seus primeiros passos na política – dessa vez, em um cargo na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia.

Também trabalhou em governos do PT em pequenas cidades do interior até que, em 2010 – um ano após o falecimento do pai -, disputou uma vaga à Assembleia.

Foi eleito com mais de 69 mil votos – o mais votado do PT. Destes, mais de 5 mil vieram de Viamão, onde a família ainda tem casa.

 

Adão Pretto foi deputado de 1991 até 2009

 

Adão Pretto e a luta pela dignidade no campo

 

Edegar não tem como fugir da emblemática figura do pai. Nem quer.

Adão Pretto foi o primeiro político a defender dentro do parlamento às questões ligadas ao homem do campo. Nessa época, meados dos anos 80, o crescimento do PT nas cidades estava ligado aos trabalhadores urbanos, seus sindicatos e, principalmente, aos professores. Adão era uma voz típica do interior – com sotaque da roça e tudo.

Edegar e, mais recentemente, Adão Pretto Filho, esperam carregar na política o legado deixado pelo pai. Em 2011, a fundação José Martí produziu o livro do jornalista Rafael Guimaraens que conta a história política e a trajetória pessoal de Adão Pretto – de Miraguaí até as altas casas do parlamento nacional.

O livro conta histórias curiosas – e inusitadas. Numa delas, Adão Pretto dizia aos amigos do partido na época que, assim que tomou posse, haviam dado a ele um talão de cheques e depositado metade do salário de deputado. Adão fez as contas e contava para todo mundo o que a Assembleia tinha feito – mas não em dinheiro e sim e sacos de soja.

– Olha, fulano, me depositaram tantos sacos de soja e eu recém tomei posse – contava.

Noutra história, Sérgio Zambiasi – também deputado na época -, lhe deu de presente uma gaita.

– É para tu tocares para os teus sem-terra.

Era só o começo da história do homem que viria a se tornar o mais importante político ligado aos trabalhadores do campo que o país conheceu.

Um exemplo permanente para o filho Edegar, que leva nesta terça o nome da família pela primeira vez para o comando da Assembleia Gaúcha.

 

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