Aconteça o que acontecer, o Internacional voltou a ser competitivo. Ambição. Organização. Esperança ao torcedor. O mais novo 60tão da praça, Mano Menezes, é o principal responsável pela "viração de chave" em 2022. Até então, a melancolia era a marca do futebol colorado na temporada, fazendo com o que os 45 pontos fosse o único e exclusivo objetivo.
Janela de transferências. Poucas vezes o Inter foi assertivo, cirúrgico, pontual, bem sucedido. Do Leste Europeu — infelizmente motivados pela Guerra —, vieram Alan Patrick, Carlos de Pena, Pedro Henrique, Vitão e Wanderson. O quinteto colocou em prática a tão necessária mudança de fotografia da equipe. Acerto da direção que, na maior parte do tempo, beira o amadorismo; ilustrado pela vergonhosa exposição dos direitos de imagem atrasados.
Camisa 9 ou ataque movediço. Pontas bem abertos ou losango no meio. Três zagueiros. Três volantes. Três atacantes. Tudo isso em 90 minutos e mais os acréscimos. Com os mesmos atletas. Mano Menezes fez da teoria a realidade. Futebol é um organismo vivo. O Internacional voltou a ter repertório.
Carlos De Pena já era ponta e lateral-esquerdo. Virou um extraordinário "carteador". O único legado salutar de Medina no Beira-Rio. O camisa 14 arma, lança, chuta, controla. O mais titular dos titulares. Em hipótese alguma deve ser novamente preterido para que "2 volantão" ocupem a cabeça da área. Mano, Mano, Mano… Não revogue o seu maior acerto até agora!
Como bom e "velho" treinador, Menezes arrumou a ‘casa’ de trás para frente. Com estabilidade defensiva, o desafio agora é balançar as redes! Wanderson perto do gol deu liga contra o Flamengo. Não apenas pelos dois gols, mas pelas características fundamentais de drible, explosão e arremate. É um alento e tanto, mas ainda falta o complemento.
Taison deveria receber mais minutagem. Nem que seja pelo histórico. A mudança de desenho contra o Flamengo, que formata a equipe com dois volantes e dois meias pode potencializar as jornadas do camisa 7. No losango contra o Mengão, a correria pelos lados/amplitude ficou a cargo dos laterais, sobretudo Bustos. Taison, assim, jogaria mais perto do gol e estaria liberado das tarefas mais pesadas de recomposição.
Aliás…. com volta de Edenílson ao time, o coletivo deve ficar ainda mais forte no setor onde tudo acontece! Futebol se ganha, se perde e se empate é no meio-campo. Dourado, Edenílson, de Pena e Alan Patrick formatam uma interessantíssima meia-cancha. Sobretudo se tiver Taison, por vezes, frequentando a região para criar superioridade numérica e desencaixar a marcação rival.
O modelo citado, em alguns pontos, lembra a mecânica do Inter de Coudet. Nele, Thiago Galhardo chegou à Seleção. Desconheço "as tretas" que, talvez, impeçam que o antigo camisa 17 retorne ao grupo. Se for apenas pela "bola", briga pela camisa 9 ou pela ponta-de-lança. Fácil, fácil, dependendo do preparo físico. Pelo menos até que um “cheira gol” desembarque no Salgado Filho.
Por fim, e não menos importante (AVÁ!), sabemos que a fisiologia não permite que a intensidade/pé no fundo/corda esticada seja a tônica da equipe durante o jogo inteiro. Entretanto, o colorado de Mano quase sempre "abdica de jogar" muito cedo. Abusa do direito de saber sofrer. E de sofrimento, convenhamos, a nação alvirrubra já está estafada.





