Mulheres ciumentas

Precisei de conserto para o meu computador. Lembrei que o marido de uma prima é técnico dessa área. Não conheço esse parente, mas coloquei o nome dele na agenda, sem sobrenome ou qualquer outro indicativo de quem era o tal número. Busquei na lista de contatos e encontrei mais três nomes iguais. Eram dez horas da noite e eu precisava falar com ele para agilizar o conserto para o outro dia.

Mas quem era quem? Sei bem a chatice que é receber ligações erradas depois do horário comercial. Não tenho o número de telefone da minha prima. Tinha que arriscar. E se não fosse o primeiro número que escolhi? Hoje, refletindo melhor, acho que estava brincando com fogo e poderia me queimar...

Já enfrentei tantas situações inusitadas em ligações erradas que até me divirto em algumas delas.

Descobri que meu número de celular é igual ao de uma senhora lá no Alegrete. O que nos diferencia é o DDD. Ela tem uma amiga que, em dezembro, há quinze anos liga para desejar bom Natal, mas esquece de colocar 55 antes e acabo recebendo também mensagem carinhosa nessa data e aproveito para mandar um abraço para a alegretense. Até já criamos uma certa “amizade” ao longo destes anos.

Em outro período recebi, com frequência semanal, recados desaforados de uma moça de Caxias do Sul. Ela não digitava o número certo e xingava a mim, ao invés da amante do marido dela. Cansada dos desaforos liguei para ela e perguntei se o sujeito era o mesmo com quem eu estou casada. Ela percebeu que estava direcionando sua ira indevidamente.

E se eu ligasse para o João errado e atendesse uma esposa ciumenta? Aconteceu uma única vez. Liguei errado, pedi desculpas pelo engano e a pessoa não aceitou. Ligou de volta querendo que eu dissesse “a verdade”, insinuando que eu queria falar era com o parceiro dela. Desliguei e bloqueei o número da criatura. Não sou terapeuta e nem tenho tempo para ouvir bobagens.

Ao lembrar desses contratempos parei e preparei um roteiro de perguntas para ambos os sexos. Liguei e a voz era masculina. Me apresentei: oi, sou a Marta. Tu és técnico de informática? E nem dei tempo para resposta e continuei: és o marido da minha prima, fulana de tal? Suspirei aliviada quando ele respondeu afirmativamente às duas perguntas! Expliquei o porquê de minhas questões e a conversa fluiu.  Combinamos de ele pegar o equipamento no outro dia. Aproveitei e dei um oi para minha prima. Depois de desligar, acrescentei o nome dela junto ao dele. Chega de sufoco! Mas ainda tenho que descobrir quem são os outros dois!

 

 

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

TORNADOS: Fúnil do mal

Não imaginava que me assustaria tanto. Não fazia real ideia de sofrimento. Enfim, como diria Mário Quintana. “Tempos Bicudos”! Estamos em 2026 vivendo uma hecatombe climática sem precedentes que afeta

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook