O conhecimento leva ao respeito.

Por  babá Phil

 

Em um tempo de polarização política e racismo crescente, se faz sempre necessário o diálogo para que a partir dele se consiga construir ideias no sentido do progresso e desviar-nos dos falsos moralismos, vendidos como verdades absolutas mas que em sua natureza revelam um pensamento individual, portanto egoísta, e não o coletivo. Um pensamento criado a partir de distorções da realidade para beneficiar apenas a categoria elitizada da sociedade.
Em Viamão, mais um passo foi dado no último dia 19/11, às vésperas do dia da consciência negra, surgido de um diálogo inter-religioso promovido pela igreja anglicana do Brasil. Na ocasião, os participantes tiveram o prazer de conhecer através da palestra do bispo Humberto não só a participação como também a importância do negro na história bíblica; negros cuja existência muitas vezes é negada nesse livro, que além de ser de suma importância religiosa para os adeptos também é um recorte da história da humanidade. No mesmo evento inter-religioso, houve a palestra do Babá Hendrix na figura de Autoridade    Tradicional de    Matriz    Africana, discorrendo sobre o mundo a partir de uma visão afro-centrada. Estavam presentes religiosos de vários segmentos, como católicos, anglicanos, budistas, batuqueiros e evangélicos. Você não leu errado não, os dois últimos da lista, batuqueiros e evangélicos, estiveram em um mesmo espaço, dividindo conhecimento e acima de tudo se respeitando. 
Ações como essa mostram que o conhecimento e, mais que isso, a vontade de conhecer sem desprezar é um gatilho para o respeito mútuo e a coexistência em paz. Por isso, são necessárias quase que diariamente práticas como a do evento para que as pessoas consigam, através do entendimento do outro, minimizar seus próprios preconceitos. É bom lembrar que o racismo, a intolerância religiosa não nascem com o ser humano, mas sim são ensinados por uma sociedade de berço escravocrata. Felizmente, existem muitas iniciativas que buscam consertar essa distorção.
A partir do momento que temos a oportunidade de conhecer a tradição, a crença, a fé do outro e nos propomos a dividir sua visão, respeitando sua origem, sua história e seus ancestrais, somos agentes de uma sociedade melhor. Acredite nisso.

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