O massacre sobre a menina de 12 anos que desapareceu; Os ’criminosos de bem’ do Grande Tribunal das Redes Sociais

Arte do genial Pawel Kuczynski

Assustam-me os comentários sobre o desaparecimento da menina de 12 anos de Cachoeirinha, encontrada, comemoremos, viva, após passar uma noite na rua, caso que viralizou nas redes sociais de nossas aldeias.

Entre as centenas de postagens a ‘certeza’ da maioria é de que ela estava com namorado e “depois de nove meses a gente vê o resultado”.

Fosse esse o motivo, que interessa apenas à família, que desesperada pediu ajuda para divulgar o caso em grupos de Facebook, há um crime pouco comentado – e, por consequência, naturalizado – pelos ‘juízes e juízas’ da vida alheia.

Tem 12 anos a menina.

Essa ‘gente do bem’ trata como normal uma criança ser, supostamente, sexualmente ativa?

Está no Código Penal o estupro de vulnerável. A pena é de 8 a 15 anos, sendo aumentada no caso de lesão corporal grave, de 10 a 20 anos; no caso de morte, de 12 a 30 anos.

A esgotosfera só piora: a principal ‘recomendação’ para os pais é espancar a criança. Outro crime, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também no Código Penal.

Fato é que se cometeu um deplorável massacre sobre essa criança no Grande Tribunal das Redes Sociais.

Ao fim, lembrou-me uma que contava o Millôr sobre um faxineiro do Banco Central que, envergonhado com a roubalheira a que assistia todos os dias, se atirou da janela do edifício. Porém, coerentemente com o local, teve a precaução de se atirar do primeiro andar. E para dentro”.

Já seria um princípio para hipócritas.

‘Caírem pra dentro’ de suas próprias famílias.

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