Escrevo este texto com urgência. Hoje me sinto urgente, sinto que minha vida é urgente. Acordei com vontade de atender esta urgência de minha existência, com vontade de atender meus próprios pedidos e desejos.
Acordei com esta urgência de não conseguir esperar pelos que estão vindo, hoje senti de ir na frente, abrindo caminho para os meus pés e quem sabe o que virá depois desta coragem que urge?
A partir disto, me sinto como alguém que denuncia o seu próprio corpo ao acaso, hoje sinto que não consigo esconder meu espírito de aquarela. E apenas hoje, me pintei assim e fui.
Fui passear entre os jardins do meu coração e descobri coisas que ninguém pode saber, coisas que nem eu sei ainda e isso não é uma contradição, é uma verdade explícita.
As vezes acordo sentindo-me assim, preciosa. Quem pode julgar essa minha existência tão indecisa? Ontem mesmo eu disse que não valia nada, e agora sou tudo.
Sou tudo para mim, e nada para os outros. Sou tudo para os outros, e nada para mim. Sou tudo para todos e para mim. Não sou nada. Será?
Me sinto como uma transeunte, desfilando alegremente por todas essas suposições absurdas que faço dos outros e de minha própria consciência. Já me perdi, mas não me incomodo de parecer inconsistente. Hoje não.
Lembrei das redações que aula que valiam nota, coerção e coerência. Hoje não, me libertei de todas essas regras por hoje.
Enfim, não sinto-me perfeita. Me concedo o direito de errar e isso torna minha passagem pela Terra ainda melhor, hoje sinto-me assim.
Embora o depois seja outro assunto, e semana que vem…Quem sabe?
Hoje eu estou denunciando aqui um sentimento de inquietude muito querido, um caos estabelecido que nada se parece com crise. E o que é a crise?
Algo como uma prova de fogo, que só enxergamos após atravessar. Enquanto a outra se aproxima, e sem ver, ficamos aqui dançando sob nossas próprias incongruências, inconsistências, infortúnios. Não é isso a vida, afinal?





