OPINIÃO | Guto está certo em querer acabar com os fiscais do ônibus, mas

É uma noite qualquer entre 2012 e 2017, preciso caminhar quatro quadras entre a Unisinos Porto Alegre, na Nilo Peçanha, e o viaduto da Carlos Gomes para conseguir pegar um T11 e descer até a Bento para embarcar no Viamão. O pequeno trecho é escuro e perigoso (fui assaltado uma vez, meus colegas tantas outras), e a única coisa que o jovem universiário pensa depois das 22h é voltar para casa e encontrar seu maior crush: a cama.

Chega na Bento, desce e espera o bus na Igreja São Jorge. O metropolitano comum, é claro, pois mesmo que queira, é impossível pegar um semi-direto naquele ponto da avenida, pois estão sempre cheios. O pinga vem, lotado é claro. O empurra-empurra começa e você procura um lugarzinho (lugarzão no meu caso que sou corpulento (gordo, mas essa palavra é massa)) e quando finalmente consegue se instalar o coletivo para na 31. Se os fiscais subirem rápido agradeça, pois muitas vezes o ônibus fica parado atrás de outro, numa charmosa fila indiana, repleta de ônibus esperando para ter seus funcionários fiscalizados por outros funcionários.

Como passageiro, é horrível ser contado como gado e ficar mais 3 ou 5 min parado, esperando a contagem. no lugar do cobrador, sempre imaginei a humilhação de ter o trabalho fiscalizado três vezes em uma só viagem. Sim, uma na 32, uma quando chega na garagem e outra na 42, pois em 10 paradas o cobrador pode querer roubar um pouco mais. Isso quando o fiscal não vem pedir o tal talãozinho. Não querendo parecer soberbo, mas eu nunca dei. Sempre fui o passageiro revoltado que não quis entregar o talão.

Agora, Guto Lopes, o vereador sem partido, ex-Psol e quase PDT, quer acabar com o trabalho dos fiscais. Em um post no Facebook, Guto disse que levou a Metroplan, justificativas para que se acabe com os três pontos de fiscalização no município. Na opinião deste colunista, Guto está certo em querer acabar com os fiscais, mas é preciso ver o outro lado da moeda, ou da roleta, como queira.

Em uma pesquisa rápida na internet, descobrimos que a Transcal, que administra parte das linhas intermunicipais de Cachoeirinha, possui três tipos de passagem diferentes: Comum, Semi-direto e executivo. A Soul que atende a co-irmã Alvorada tem oito entre municipais e intermunicipais e a Sogil, de Gravataí 12 passagens diferentes. Em nenhuma dessas cidades há tantos fiscais quanto em Viamão, mas pudera, a Empresa Viamão informa em seu site que são 57 – CINQUENTA E SETE – possíveis tarifas.

Longe de ser corporativista, mas a Empresa Viamão embora incomode seus passageiros com as paradas de fiscalização precisa administrar um sistema de transporte do tamanho de toda a cidade. Com as últimas empresas compradas, passou a operar em 100% do território. Se faz isso a contento, se a passagem é justa, se cumprem os horários isso é uma outra discussão, mas os talõeszinhos são encarados pela empresa como um mal necessário.

Se a ida de Guto até a Metroplan vai acabar de fato com a fiscalização? Acredito, sinceramente, que não. Mas é bom ver uma movimentação política que diga o que todo mundo que pega ônibus nessa cidade quer dizer: esses papelzinhos são um saco. Fica a provocação para que a Viamão pense em outras formas de fiscalização. Não dá mais.   

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

TORNADOS: Fúnil do mal

Não imaginava que me assustaria tanto. Não fazia real ideia de sofrimento. Enfim, como diria Mário Quintana. “Tempos Bicudos”! Estamos em 2026 vivendo uma hecatombe climática sem precedentes que afeta

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook