Há mais de 20 anos, os assentados cultivam arroz orgânico no Estado, e atualmente, 290 famílias participam dessa produção em sete municípios gaúchos: Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Charqueadas, Guaíba, Tapes e São Gabriel
Após hiato de um ano devido às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no final de 2023 e em maio do ano passado, a Festa da Colheita do Arroz Agroecológico voltou a ser realizada nesta quinta-feira, 20 de março. A 22ª edição do evento aconteceu no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, reunindo cerca de 5 mil pessoas. O lema “Lutar, construir a reforma agrária popular” esteve presente em toda a programação, que começou às 9h com a abertura oficial da colheita.
De acordo com o Comitê Gestor do Arroz Agroecológico, foram semeados 2.850 hectares de arroz agroecológico e 800 hectares em conversão nos assentamentos de Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Charqueadas, Guaíba, Tapes e São Gabriel e a colheita estimada é de 14 mil toneladas do grão. Realizada anualmente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul, a festa marca o início da colheita do arroz agroecológico no estado. Em março do ano passado, em vez da festa, o MST promoveu um seminário sobre os impactos das mudanças climáticas na agroecologia.
A retomada do evento simboliza a importância da agroecologia na produção sustentável de alimentos. O assentamento recebeu visitantes de diversas partes do estado e do país, e reuniu grande diversidade de produtos e produtores, reafirmando a relevância da luta pela reforma agrária popular. Com 50 bancas e nove cooperativas do estado, a feira contou com grupos de produção e agroindústrias de diversos assentamentos. Ao todo, 120 tipos de produtos foram comercializados na feira, incluindo panificados, embutidos, queijos, arroz, geleias, sucos, artesanatos e livros, reforçando a importância da produção sustentável e coletiva no campo.
Atualmente, o Rio Grande do Sul tem o cultivo de 2.850 hectares de arroz orgânico. Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ressaltou a importância desta safra. “Estamos colhendo a maior safra da história do arroz agroecológico, 14 mil toneladas. Foi um trabalho de resistência após as enchentes, contando com o apoio do governo federal. 70% da semente utilizada veio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), e a Conab investiu R$ 4 milhões na compra de sementes. Esse arroz chegará às escolas, hospitais e cozinhas solidárias, garantindo alimento saudável à população”, disse Edgar Pretto.
Fernanda Machiaveli, secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), também esteve na festa. “É uma grande satisfação ver um assentamento assim, com essa colheita maravilhosa, depois de um ano tão difícil como 2024. Esse povo, com força e coragem, superou desafios e produziu um arroz de qualidade. O MDA investiu R$ 2,5 milhões na compra de sementes e destinou R$ 350 milhões para recuperar estradas, apoiar assentados e reconstruir casas. Estamos revertendo a redução das áreas plantadas e garantindo comida saudável para os brasileiros”, disse ela.
Para saber
O evento também comemorou a atuação dos Viveiros da Reforma Agrária Popular – Mulheres da Terra e Zecão, a presença de povos indígenas com artesanatos e a participação de sete cozinhas solidárias, representando as 30 que estão em funcionamento em Porto Alegre.
A frase
“É a maior produção de arroz orgânico da América Latina! Mesmo com desafios, foram colhidas 280 mil sacas graças à força e resiliência das famílias agricultoras” - Huli Marcos Zang, presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Filhos de Sepé
Para saber
- Para esta safra foram cerca de 1.600 hectares cultivados por aproximadamente 140 famílias - toda a produção é orgânica e certificada.
- A produção é direcionada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, que repassa às famílias em situação de vulnerabilidade e que estão no Cadastro Único
- Viamão é o município que mais produz arroz agroecológico em todo o Brasil, em área cultivada e volume produzido, além do número de famílias envolvidas no cultivo do cereal
- O município tem 261 agricultores e agricultoras certificadas como responsáveis por produção orgânica. Não tem um outro no país com tanta gente produzindo alimentos agroecológicos














