Quem quer, faz, quem não quer, arruma uma desculpa!

Acho que este ditado não poderia ser mais sábio e inteligente quando nos damos conta dos exemplos que encontramos no dia a dia.

Estive há uns anos atrás em Arroio do Sal, refúgio praiano de muitos que moram na região da serra. Não tivemos muita sorte com o tempo. (No domingo choveu torrencialmente, com pequenos intervalos de estiagem). O que nos restou fazer? Dar uma volta pelo centro para fazer umas comprinhas e tentar acalmar os ânimos da criançada com sorvetes e picolés.

Em uma das poucas tréguas da chuva, fiquei impressionada com um rapaz de uma bicicleta de som, que transita pelas ruas, fazendo a propaganda de lojas que anunciaram com ele. Até aí, tudo bem, não fosse ele, um rapaz sem o membro superior esquerdo e com a perna do mesmo lado do corpo paralisada. Poderia ele, estar em casa reclamando da vida e do tempo, mas estava lá, trabalhando, em pleno domingo, com toda as dificuldades que a vida lhe apresentou, de forma adaptada, mas trabalhando, portanto: FAZENDO.

Conheci um rapaz em Três Coroas, que sofreu um acidente e ficou tetraplégico, teve que se reabilitar, se adaptar a nova situação, usa cadeira de rodas, mas hoje, está a pleno vapor. Trabalha como qualquer outra pessoa e como se isso não bastasse, já fez parte da seleção brasileira paralímpica de natação, portanto: FAZENDO.

Tenho uma grande amiga e parceira que mora em Farroupilha, que também tem um caso bem parecido com o citado acima, e que hoje trabalha, produz, é presidente da associação de deficientes físicos da cidade, e como se isso não fosse o suficiente, apesar de muitas contradições, teve uma filha e leva a vida de uma forma muito feliz e leve, portanto: FAZENDO.

Admiro muita esta pessoa a quem vou me referir, não apenas pela sua disposição em fazer, mas também pelo seu bom humor e alegria que nos dá ao ouvir a sua música. Falo de uma pessoa que nasceu sem o dom de enxergar as coisas belas, teve que aprender a ver a vida de outra forma, teve força de vontade e aprendeu a arte da música, e como não se contentou em apenas saber, resolveu passar o seu conhecimento dando aulas de música, portanto: FAZENDO.

Outra pessoa que também tem um caso semelhante, só que a cegueira chegou mais tarde em sua vida, é um grande amigo, muito bem-humorado e feliz, que ajuda muitas pessoas, está à frente de uma associação de deficientes visuais, que anda por vários lugares com autonomia e como isso é muito pouco para ele, foi atrás do que queria e hoje é o primeiro paratleta de goalbol da sua cidade. O que nos mostra que ele está: FAZENDO.

Enfim, teria que ter o triplo do espaço que tenho nesta coluna para poder citar todas as pessoas que conheço, admiro e que servem de exemplo para pensarmos se realmente vale a pena ficar arrumando desculpas para fazermos algo que deixe a nossa vida muito mais produtiva e feliz.

Comecei a pensar e cheguei a conclusão que a chuva no domingo, nos deu muita sorte, pois podemos aproveitar a companhia das pessoas que amamos de outra forma que não fosse a praia e, se o tempo estivesse ensolarado, talvez nem tivesse visto aquele homem FAZENDO e não tivesse a inspiração para escrever essa coluna.

Que a gente tenha a sensibilidade de sentir que não produzimos nada ao reclamar e que tenhamos atitudes positivas em relação à forma que a vida se apresenta para nós, sem procurar artifícios para justificar a nossa acomodação.

Dedico este espaço para muitos conhecidos e desconhecidos que não arrumam desculpas, simplesmente FAZEM.

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