Queiram ou não, e a despeito das circunstâncias, Viamão vive um dia histórico com a assunção da vereadora Michele Galvão ao cargo de presidente da Câmara de Vereadores e, em sequência, ainda que por circunstâncias extemporâneas, ao cargo de prefeita. Dos 5.570 municípios brasileiros, somente 13% (727) têm mulheres à frente das prefeituras, embora elas representem 53% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Rio Grande do Sul, a representatividade é ainda menor; são 38 prefeitas eleitas, chegando a um índice de apenas 7,6%. As leis resultam do jogo de forças, jamais do bom entendimento. É preciso ampliar o leque da representatividade, ou seguiremos convivendo com uma democracia claudicante.
Não existe ambiente político de consenso, ou não seria política. O que pode haver, e isso é sempre saudável, é a busca por pontos de convergência em nome de um projeto de interesse coletivo — e, mais uma vez, cada qual com as suas concepções. Viamão é pujante, rica em diversos aspectos, com potencial em várias áreas e desafios que exigem concentração absoluta dos gestores. A política não pode se restringir a eleições ou a disputas eventuais, ou a cidade corre o risco de permanecer em constante estado belicoso. Em nome da cidade, neste momento, um armistício é o mais recomendável; no momento oportuno, na civilidade que a sociedade viamonense merece, que a eventual eleição fora de época discuta, então, os rumos para o Município. Temperança e boa sorte à gestão da prefeita Michele Galvão!





