Saul Teixeira | Com futebol à moda antiga, Argentina quebra jejum de 36 anos

Um time comum, mas jogando com a “corda esticada” e em função do seu craque! Nada de revolucionário! Muito antes pelo contrário. Pragmatismo puro. Entretanto, taça no armário e nome na história. 

Quando não deu nos 90 minutos contra os “grandes” enfrentados — Holanda e França — vitória nos pênaltis. Aliás, mais um mérito dos “vizinhos”. Na Copa das decepções, coube ao time de Scaloni honrar a subjetiva “força da camiseta” — a goleada contra a Croácia é exemplo prático. 

Embora sem muito brilho, a geração também é qualificada — a melhor da Albiceleste nas últimas Copas. O goleiro Emiliano Martinez e o meio-campista Rodrigo De Paul ilustram que, finalmente, Messi ganhou coadjuvantes de luxo para o entorno. Por mais gênio que seja, uma andorinha somente não faz verão, né?

Três zagueiros espelhando a escalação da Holanda nas quartas-de-final e vitória dramática nos pênaltis após empate em 2 a 2. 

Bela e consistente atuação contra a Croácia, com meio-campo povoado e três volantes para vigiar e sufocar Modric. Ah, Brasil. Era tão óbvio!!! Triunfo por 3 a 0 na semifinal.

Di Maria num misto de quarto homem de meio e terceiro atacante pelos lados na finalíssima, rendendo vantagem provisória de 2 a 0. Primeiro tempo beirando a perfeição técnica, tática, física e emocional.

Houve repertório e leitura apurada de Lionel Scaloni ao longo de toda a competição, principalmente após a decepcionante estreia contra a Arábia Saudita. Antes da Copa, aliás, foram 36 jogos de invencibilidade — mais um dado que ilustra a excelência do trabalho. 

Agora, a vice-campeã! A França jogou a Copa do Catar sem cinco titulares — Kimpembe, Lucas Hernandez, Pogba, Kanté e Benzema. Quantas seleções mais conseguiriam se reinventar? Sem falarmos no atacante Nkunku, até então considerado o 12º jogador.

Didier Deschamps. Se em 2018 o treinador foi “criticado” pelo título sem grande futebol, quatro anos depois a história foi literalmente oposta. Futebol Além do Resultado em estado puro! 

Entretanto, na hora grande faltou peças de reposição à altura. Em qualidade e quantidade. Os Bleus terminaram a partida contra a Argentina repleto de jogadores “desconhecidos” do grande público. Aliás, o atacante do alemão Eintracht Frankfurt, Kolo Muani, teve a bola do jogo no apagar das luzes da prorrogação. 

Em contrapartida, foi justamente a “gurizada” que colocou fogo no jogo e e foi determinante para os três empates improváveis — liderados pelo incrível Mbappe, autor de hat-trick em plena final de Copa do Mundo. Futebol e sua capacidade infinita de transformar céu em inferno num piscar de olhos. 

Messi, Messi, Messi…

O canhota foi enorme nas horas decisivas! Um legítimo 10 de fato e de direito. Messi finalmente foi Messi vestindo azul e branco.

Quantos craques deixaram a cena sem a maior glória da arte de chutar a bola? O filho de Rosário e Barcelona não merecia essa desfeita. 

O futebol devia uma Copa do Mundo ao Pelé do século 21. Dívida paga na terra da carne com ouro…

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