Silêncio: sinal de paz e de que alguma coisa está errada

Nesta terça-feira, 7 de maio, é celebrado o Dia Internacional do silêncio. Isso mesmo, existe um dia para celebrar a paz aos ouvidos. A nossa relação com o silêncio muda conforme o tempo passa, e a gente amadurece. Quando somos crianças, não paramos de falar um só instante, derrubamos coisas e adoramos musiquinhas e brinquedos barulhentos. A medida que a adolescência vai chegando, vamos transformando o barulho em música, alguns através de instrumentos outros dando play a algum hit barulhento no fone de ouvido mesmo. Jovens adultos tendem a trocar os fones de ouvido pelas músicas exageradamente altas das baladas.

 

Notaram o exageradamente? É que a vida adulta nos faz apreciar cada vez mais o silêncio e a paz. Os budistas cultuam o silêncio até mesmo através de um voto, o tanto que eles consideram o ato de deixar de falar importante. Recentemente a Netflix lançou “O Silêncio” um filme estrelado pela mesma atriz que fez a Sabrina Spellman, no remake que a plataforma de streaming lançou ano passado. No filme, Kiernan Shipka, interpreta uma jovem com problemas auditivos que precisa, junto com sua família, sobreviver a terríveis animais, possivelmente jurássicos, adormecidos.

 

Lá nas cansadas o pessoal descobre que os terriveis animaizinhos voadores não podem enxergar, eles se guiam pelo som. Já pensaste, caro leitor? E é assim que os humanos sobreviventes precisam parar de fazer barulho para continuar sobrevivendo. Mais que um filme bobo para assistir no final de um domingo tedioso, “O Silêncio” é um ótimo ponto de partida para a seguinte reflexão: como seria nossas vidas sem o barulho? O som, a música?

 

Eu, particularmente, não vivo sem música de jeito algum. Gosto de ouvir, sobretudo, para me concentrar enquanto estudo ou escrevo. Neste momento, enquanto escrevo este texto, por exemplo, ouço o último álbum de Tiago Iorc. Assim eu faço desde o ensino médio.

 

Quando nosso primeiro filho nasce, aprendemos que o silêncio pode significar duas coisas: ou a catástrofe ou o paraíso. Normalmente a resposta para essa pergunta, se o silêncio que você ouve com uma criança de dois anos em casa é catástrofe ou paraíso, é preciso responder outra pergunta: você interferiu de alguma maneira para que isso acontecesse? Explico.

Se você desligou a galinha pintadinha que não parava de se esguelar na televisão, ou escondeu aquele brinquedo barulhento que seu filho tanto ama e você tanto odeia, é possível que ele esteja bem e apenas pegou no sono. Agora se a ausência do barulho vem do nada: CORRE MEU FILHO, POSSIVELMENTE O APOCALÍPSE SE APROXIMA.

 

Ou ele tomou água da privada, ou comeu coco, ou tá riscando a parede com alguma caneta, ou ta brincando com alguma coisa super perigosa. Pode acontecer ainda de você encontra-lo simplesmente parado, olhando para uma parede. Neste caso pode contar que COM TODA A CERTEZA ele tá pensando numa forma de fazer uma das coisas listadas acima. Silêncio quando se tem filho em casa é assim: CILADA BINO.

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