Vida longa ao nosso Farroupilha Estadual

Meu primo Thiago e eu temos 11 meses e três semanas de diferença de idade e quando eu tinha seis e ele sete, meu irmão mais novo, Gabriel, nasceu. A tia Isa, vez ou outra, acabava me levando para a pré-escola, que ficava no caminho da escola onde meu primo cursava a primeira série. Em 2000 entrei pela primeira vez na Escola Estadual de Ensino Médio Farroupilha, na hora da entrada para largar o Thiago. 

Um ano depois eu comecei a estudar lá. Esperava minhas primas, Bruna e Joyce, no portão de casa para subir juntos. Freegels de melão e chiclé Baba de Bruxa eram guloseimas frequentes no caminho até a aula, comprados na padaria da Pema, bem na entrada da Querência. Quando cheguei no ensino médio, a professora Ana Cristina, de Física, passou a me chamar de Ferrari, por ter dado aula às minhas primas. Depois de mim ainda vieram estudar no colégio minha prima mais nova, Alline, e meu irmão Gabriel. Ao todo, seis Ferraris passaram pelos muros do Farroupilha. É difícil encontrar algum aluno naquela escola que não tenha uma história parecida, de relação pessoal e familiar com a escola.

Foi no Farroupilha que solidifiquei amizades que levo comigo até hoje, que encontrei amores, que estudei muito e me diverti mais ainda. Foi lá que assumi o Grêmio Estudantil e junto com pessoas incríveis fiz a rádio da escola voltar a funcionar, promovemos festas e ajudamos a pensar uma escola melhor. Uma vez até a chave da escola ganhei para fazer um evento. Imagine a responsabilidade! Sentei algumas vezes no sofazinho do SOE, para conversar sobre desentendimentos, principalmente com o Luis Jorge, meu maior antagonista no ensino fundamental e um dos meus melhores amigos no médio e fora dele, até hoje. 

Nestes cinquenta anos o Farroupilha já passou por muitos momentos delicados, como morte de alunos queridos, caminhões invadindo os muros da escola, fora os problemas estruturais pelos quais todos os prédios públicos passam: sucateamento. Já fomos comparados ao Carandirú pelas péssimas condições das acomodações mas nunca desanimamos e nos últimos anos, excelentes diretores passaram pelo Farroupilha, reacendendo a esperança de dias melhores e mostrando que basta ter boa vontade e competência técnica para fazer a coisa pública andar.

Na última semana o vereador Nadim Harfouche, morador da região e pai de dois alunos formados na escola e um que ainda lá estuda, homenageou o Farroupilha pelos seus cinquenta anos de fundação. Meio século de uma escola que traz a comodidade de estar instalada na RS 040 e por isso trazer alunos de vários cantos de Viamão, com o espirito acolhedor e ambiente familiar de quem está a poucos metros de uma das maiores e mais importantes comunidades do município, o bairro Querência. 

Me arrisco a dizer, pelas falas dos homegeados e pelas visitas recentes que fiz a escola que o Farroupilha viva hoje uma de suas melhores épocas, com uma equipe diretiva capaz de fazer e alunos dispostos a manter tudo em ordem. O casamento perfeito, almejado por qualquer comunidade escolar. 

Em tempos tão difíceis para a educação pública, principalmente para os professores, é emocionante ver uma escola dar certo, como tantos outros bons exemplos aqui da nossa cidade. Vida longa ao nosso Farroupilha! 

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Exaustão

Salete havia decidido mudar de vida. Morava num pequeno sítio no interior de São Paulo. Mas pensava que seria mais feliz na capital.Engano profundo. Na capital moravam os grandes vícios.

Leia mais »

Cachorro e Cuia

Nesta cidade praiana o comum eram cachorros e cuias. Não dá pra dizer que não era umacidade sonho gaúcho. Era. Outono,quase inverno,e as poucas pessoas que circulavam na ruatinham este

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook