Valdir Bonatto faz balanço de fim de mandato: cabeça na campanha de 2022

Valdir Bonatto deixou o governo em dezembro e deve concorrer a deputado em 2018 | Rodrigo Becker, Diário

Valdir Bonatto (PSDB) não é afeito a conversar com a imprensa. Quando precisa, manda recado. E via de regra, prefere dizer - sempre por assessores - que "não vai se manifestar". Neste ano, toda vez que necessitou de visibilidade além dos impulsionamentos em redes sociais pagos com o caixa da Prefeitura, falou com os veículos locais por meio de lives, sem abrir espaço para questionamentos.

Talvez por isso eu tenha estranhando a coletiva convocada pelo tucano netas tarde (30). Uma conversa presencial no penúltimo dia do ano... com todo mundo chaveando as gavetas e com a cabeça na estrada ou nas compras para a ceia (amanhã não tem expediente)... Pelo menos ao Diário é o primeiro convite para uma conversa olho no olho após 364 dias de mandato.

A pauta oficial são as ações da gestão em 2021. Anúncios de investimentos em Educação, Saúde, Obras, compra de maquinário, doação de área para o Hospital Viamão, mudanças na administração do Parque Saint'Hilaire e no Colônia Itapuã, dinheiro para a empresa de ônibus, reforma na previdência dos servidores municipais, volta da Festa do Peixe...
Então senti aquele gostinho de café frio. Senti que Bonatto reuniu jornalistas e "assemelhados" de Viamão para uma entrevista-balanço. Daquelas que se faz no apagar das luzes, no fim de mandato.

Mais dia, menos dia - e ele tem até abril para fazer isto, Bonatto renunciará ao cargo de prefeito para concorrer a deputado estadual. Não é nenhuma novidade, e ainda restam quatro meses de prazo legal, mas fiquei com o pé atrás que a decisão seja antecipada.
Sabe como é: tem gosto de 2022, cheiro de 2022 e cara de 2022...

É como disse em O que está por trás das trocas no secretariado de Bonatto, e não faz muito tempo: não há quem me convença que corpo e alma do tucano não estarão voltados para a campanha a partir de 2022.

No horário do encontro, tirei a teima! Bonatto, que tinha junto o vice – e futuro prefeito – Nilton Magalhães e o presidente da Câmara de Vereadores Armando Azambuja, ambos do seu partido (PSDB), falou o tempo todo sobre o ano de gestão. Nenhuma revelação bombástica. Ao menos permitiu que lhe fossem feitas perguntas - mesmo que não tenha respondido a todas.

Sobre campanha eleitoral e o pedágio da RS-118, por exemplo, o tucano ficou devendo.

De curioso, o encontro proporcionou muita tietagem e Bonatto parafraseando Lula: "Nunca antes na história desta cidade..."

A política tem destas coisas.

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