O ‘bode do Leite’ segue na sala. Ou melhor, na cancela. O governo do Estado já anunciou que os estudos que vão embasar os editais do repasse de estradas – entre elas as ERSs 118 e 040 (Mário Quintana e Tapir Rocha) – para a iniciativa privada foram concluídos, mas ainda não tornou públicas as informações sobre sugestão de tarifas e de localização dos pontos de cobranças de pedágios. A previsão é de que o governador Eduardo Leite faça o anúncio nesta semana. Viamão e região já tem mobilização contra. A Frente Parlamentar Metropolitana Contra o Pedágio na ERS-118 foi lançada na noite desta segunda-feira.
Trata-se de ser a favor ou contra, uma vez que a Velha Capital pode acabar cercada por dois pedágios. Esse fato foi destacado pelo idealizador da Frente, Paulo Silveira, do PSB de Gravataí, que reuniu políticos e lideranças empresariais e comunitárias de Gravataí, Cachoeirinha e Viamão - mesmo que timidamente - na Câmara de Vereadores dos vizinhos.
O vereador, com base em informações colhidas do Avançar, programa apresentado pelo governador, e entrevistas de integrantes e técnicos do governo, listou as possíveis praças. A da 118 ficaria entre a Freeway (BR-290) e o distrito industrial de Alvorada, no trecho de pista simples.
No encontro, o vice-presidente da Federasul Régis Albino contrapos o que o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, chamou de fake news e o DV tratou no artigo Secretário de Eduardo Leite diz que é ’fake news’ pedágio na RS-118 - em Gravataí; Viamão e Alvorada pagarão a conta.
Existe a chance da 118 ter uma segunda praça, esta no limite entre entre Cachoeirinha e Sapucaia do Sul.
– Não teve nenhuma fake news. Houve um recuo, uma vitória da comunidade. O secretário (Costella) gravou vídeo em um domingo após nossa mobilização – disse o também vice-presidente da Associação Comercial, Industria e de Serviços de Gravataí (Acigra).
– Ouvi de técnicos que mediam fluxo que a 118 teria os dois pedágios – confirmou Darcy Zottis Filho, diretor de Assuntos Institucionais da Associação Comercial de Cachoeirinha (ACC), acrescentando:
– A troca do pedágio na Freeway demorou cinco anos. Agora querem resolver 30 anos de concessão em 30 dias? O governo do Estado está atropelando os prazos.
– Gravataí se tornou um polo logístico. É também lugar de uma série de novos empreendimentos imobiliários após a troca da praça de pedágio da Freeway. Pedagiar a 118 seria tornar a cidade menos atrativa. Nosso movimento fez a região ser ouvida – complementou Ana Cristina Pastro Pereira, presidente da Acigra.
Tratamos da polêmica também nos artigos Lideranças da Região Metropolitana criam movimento para evitar pedágio na RS-118; Viamão precisa mergulhar de cabeça e RS-040 volta à iniciativa privada, e isenção a placas de Viamão acabará; Após R$ 400 milhões de dinheiro público, 118 também será pedagiada.
O vereador Clebes Mendes (MDB), parceiro político de Costella, fez o papel de ‘advogado do diabo’.
– (A Frente) É um movimento salutar, mas prematuro. Ainda não temos as informações oficiais. O que há de garantia do governo estadual é que o pedágio não será no trecho duplicado da 118. É preciso ouvir a comunidade – argumentou, sugerindo novas audiências com representantes do Estado e prefeitos.
Conforme o presidente da Frente, Paulo Silveira, uma audiência pública será realizada com a presença de prefeitos. Os próximos passos serão informar a população e promover uma consulta pública online.
O vereador Bombeiro Batista (PSD) disse ser contra os pedágios, mas alertou para as consequências da briga política entre Costella, alinhado a Leite, e o adversário, ex-prefeito Marco Alba (MDB), um dos cotados para concorrer ao Palácio Piratini.
– Sou contra o pedágio, mas não pode essa disputa atrapalhar o diálogo entre Estado e Prefeitura.
Ao fim, concluo como iniciei este artigo: o ‘bode de Leite’ está na cancela. Por óbvio o político mede a temperatura das comunidades que podem ‘ganhar’ pedágios. Fato é que não há almoço de graça. Gravataí e Cachoeirinha estão mobilizadas para evitar o pedágio, Mas e Viamão?
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