Viamão, por volta das 15h. É início de semana, mais um começo de mês, e gente a perder de vista pelas ruas. Cada um com seus motivos, mas todos com um problema em comum: o coronavírus. Quem se protege, o faz como pode, mas há os que ignoram os riscos, os 68 casos confirmados da doença e a alta de 160% nos registros em maio.
E são muitos!

Basta uma volta pelas quadras ao redor da Prefeitura ou da Igreja Matriz e é possível ver pessoas disputando espaço nas calçadas, motoristas lutando por vagas de estacionamento e políticos aglomerados gerando burburinhos nas portas do Gabinete do Prefeito e da Câmara.

Gislaine (D) e Franciele (C) foram ao Centro pagar contas
Fato é que, desde a reabertura do comércio, no início do mês passado, está quase todo mundo na rua outra vez. Quem entende assim é a aposentada Gislaine Pereira, 58 anos.
- Pagar conta é o problema do pobre. Não tem como fugir, então todo mundo sai, mas era para estar aqui só quem precisa mesmo - contou Gislaine, enquanto aguardava um transporte por aplicativo com a filha, Franciele Pereira, 27, e cinco netos na tarde de ontem (2).
- Estão sem aulas, mas eu não tinha com quem deixar. O que a gente faz é vir de carro, porque tá impossível pegar um ônibus - diz Franciele, reclamando dos horários reduzidos do transporte para a Vila Elsa, onde mora.
Sem aulas, os estudantes deveriam estar em casa, mas não estão. Na Praça Júlio de Castilhos, tinha adolescentes sentados em duplas, papeando ao telefone com e sem máscara.
Contudo, a falta de preocupação não pode ser atribuída apenas à pouca idade. Adultos, com seus filhos em balanços, desfrutavam a tarde no playground como se fora um dia qualquer. Até abraços a reportagem do Diário de Viamão flagrou, fora as pessoas usando de forma incorreta ou simplesmente ignorando a máscara, mesmo sendo peça obrigatória para andar na rua.
Até o busto do Tapir Rocha, decantado pela Prefeitura como símbolo da prevenção ao corona no município, já está sem a sua.
Se faltava proteção para muitos, sobrava na mão de vendedores. Um deles pedia R$ 10 por máscara. Apressado e até encabulado, o ambulante não quis dar entrevista.
Quem precisa trabalhar, assim como o vendedor, não tem escolha. A advogada Rita Moura, 40 anos, foi ao centro ontem e se espantou com a quantidade de pessoas na rua.
- É muito movimento, fila para tudo. Não tem como não ficar preocupada, tenho um filho de 14 anos que não sai de casa para nada, e eu volto agora vendo que as pessoas não estão se cuidando - entende.

Rita garante que adota medidas de prevenção
A Lisiane Constante, 33 anos, é uma das monitoras que fazem o controle das vagas de estacionamento na área central. E diz que só sai para a rua pela necessidade do trabalho.
- Mesmo com toda a proteção que estou usando (máscara e protetor facial), sinto que estou exposta, eu mexo com dinheiro o tempo todo, que é uma das coisas mais sujas - explicou, enquanto passava álcool em gel nas mãos, gesto que diz ter perdido a conta de quantas vezes repete por dia.
A profissional também entende que a movimentação pela cidade está acima do que deveria no momento em que a população convive com uma pandemia.
- Liberaram a cobrança do estacionamento com o argumento de que o movimento cairia, mas não é o que eu percebo. Tá tudo lotado, tem gente até com bebê de colo andando pelo Centro - avalia Lisiane.
Em nome da Gislaine, que precisa pagar as contas, da Franciele, que não tem com quem deixar os filhos, da Rita e da Lisiane, que precisam trabalhar, o Diário de Viamão pede que, na falta da fiscalização da Prefeitura, o bom senso prevaleça. Junho já tem 11 casos nos dois primeiros dias - e uma nova morte, não é momento para sorvete na praça. É hora de sair apenas para as tarefas indispensáveis.

Números de uma guerra - 3/6/2020:
Brasil: 584.016 casos, 32.548 mortes - 1.349 nas últimas 24 horas
Rio Grande do Sul: 10.398 confirmados em 306 municípios - 258 mortes;
Viamão: 68 casos - cinco vidas perdidas.





