Pense rápido: qual o título do último livro que você leu?
Quem lembra está de parabéns! Mas quem não lembra, é porque está passando da hora de escolher um e partir para a leitura. Se este é o seu caso, fique tranquilo: você não está sozinho.
Uma pesquisa realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), ouviu 5.012 pessoas, alfabetizadas ou não, representando 93% da população brasileira. O resultado apontou que 44% dos entrevistados não lê e 30% nunca comprou um livro.
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada em 2015, revela que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. A média anterior (2011) era de 4 livros lidos por ano. Para 67% da população, não houve uma pessoa que incentivasse a leitura em sua trajetória, mas dos 33% que tiveram alguma influência, a mãe, ou representante do sexo feminino, foi a principal responsável (11%), seguida pelo professor (7%).
Aos não leitores, foi perguntado quais foram as razões para eles não terem lido nenhum livro inteiro ou em partes nos três meses anteriores à pesquisa. As respostas foram muitas: falta de tempo (32%); não gosta de ler (28%); não tem paciência para ler (13%); prefere outras atividades (10%); dificuldades para ler (9%); sente-se muito cansado para ler (4%); não há bibliotecas por perto (2%); acha o preço de livro caro (2%); entre outras desculpas. A leitura ficou em 10º lugar quando o assunto é o que gosta de fazer no tempo livre. Perdeu para assistir televisão (73%), por ouvir música (60%), usar a internet (47%), reunir-se com amigos ou família ou sair com amigos (45%), assistir vídeos ou filmes em casa (44%), usar WhatsApp (43%), escrever (40%), usar Facebook, Twitter ou Instagram (35%). Ler livros em papel ou livros digitais ficou no mesmo índice (24%) que ler jornais, revistas ou noticias, ou mesmo praticar atividades esportivas.
Para acessar o conteúdo integral da pesquisa, clique aqui.
E esse tal de Bookcrossing?
Pensando em seu papel na reversão deste quadro, a Biblioteca Pública Erico Veríssimo, da Secretaria Municipal de Educação, está propondo que na próxima terça-feira, dia 25 de julho, estudantes, professores e funcionários públicos “esqueçam” um livro já lido num local público. Basta acrescentar um bilhete: “Leve este livro. Ei, você que achou este livro, agora ele é seu! A iniciativa faz parte de um projeto de incentivo à leitura e compartilhamento de conhecimento. Quando acabar de ler é só deixar em algum lugar estratégico para outra pessoa encontrar. Aceita o desafio? Projeto Esqueça um Livro."
Luciane Tavares, coordenadora da Biblioteca, conta que a ideia partiu do jornalista paulista Felipe Brandão, que difunde o bookcrossing -- que consiste esquecer um livro num local público para alguém ler e esse alguém fazer o mesmo depois.
-- O objetivo é transformar o mundo inteiro numa biblioteca -- explica Luciane.
-- O conhecimento não é para ser guardado a sete chaves e sim para ser compartilhado, dividido, pois o conhecimento guardado é igual dinheiro num cofre, perde o valor e não rende nada -- completa, citando o músico Lindomar Batista.
Os 15 mil da Erico Verissimo
A Biblioteca Pública Erico Veríssimo fica no Calçadão Tapir Rocha, 49, Centro de Viamão. Fica aberta das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h, com exceção das quartas-feiras, cujo expediente é interno.
Hoje, o espaço comporta 15 mil obras que estão à disposição para leitura no local ou para o associado levar para casa.
Atualmente, o número de sócios é 700, mas os que retiram livros são cerca de 200. Os títulos mais procurados são os espíritas, seguido pelas leituras obrigatórias.
Para ser sócio não custa nada. Basta levar duas fotos 3x4, comprovante de residência , carteira de identidade e pronto, já está apto a retirar toda semana um livro para ler.
Alcenira Pacheco da Silva, 62 anos, trabalha como cuidadora e toda semana retira um livro na Biblioteca. Ela é sócia há 10 anos e já perdeu a conta de quantas obras leu. Sua preferência são os espíritas e o que a marcou foi “Cadê Tereza”, de Zíbia Gasparetto.





