Outros e eu, 10 anos sem cigarros

Eu! O ex-fumante

Em junho que vem, dia 6, completam-se 10 anos do meu afastamento do cigarro. Sou um ex-tabagista, ex-fumante, ex-suicida. Mas não chego a ser um chato em relação aos fumantes. Ou sou? Não fico pentelhando quem fuma, para parar. Ou fico?

Meu colega Rafael Martinelli fuma pra caramba. Meu chefe Roberto Gomes de Gomes fuma pra caramba. Até já tive namoradas fumantes. Por isso – por conviver com fumantes – acho que não chego a ser um ex-viciado “mala”. Será?

Mas, confesso: cada vez mais o cigarro me causa repulsa. Até gosto, eventualmente, do aroma da fumaça.
E-ven-tu-al-men-te!
Mas é repugnante o cheiro impregnado nas roupas, na pele, exalado pela respiração de um fumante. É nauseante.

Só depois que parei de fumar é que passei a perceber o quanto o cigarro, o cheiro do cigarro, o cheiro do excesso da fumaça, o cheiro exalado pelas pessoas, o cheiro impregnado nos móveis da casa de um fumante, é horrível.

Só depois que parei de fumar é que passei a perceber a forma como eu era visto por aquelas pessoas que não tinham o mesmo hábito, não fumavam, e me aconselhavam a parar ou evitavam estar comigo ou me alertavam para não fumar em certos locais.

Afora a repulsa social crescente que os fumantes têm que enfrentar, há outros fatores que, por si, ensejam a importância de cessar o hábito. O cigarro afeta a saúde, atinge o psicológico, corrói o bolso sob o ponto de vista financeiro.

Registro no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, em junho de 2012

 

Uma mansão!

 

Fumei dos 13 aos 49 anos. Quanto parei, queimava em média 60 cigarros por dia, o equivalente a três maços diários. Eu acordava no meio da madrugada para fumar. E pela manhã, quando abria os olhos, a primeira coisa que eu fazia era acender um cigarro.

E sou da época em que era possível fumar nas redações dos jornais. Lembro de uma redação que compartilhei com o colega Roque Lopes – outro fumante inveterado, ainda! – em Cachoeira do Sul.

A sala não tinha mais que oito ou dez metros quadrados. Só nós naquela salinha. Cada um com um cinzeiro grande, de vidro, ao lado da modernidade que recém chegava às redações: os computadores.

A gente não levantava, não saía à rua para fumar. Os cinzeiros acumulavam bitucas fedorentas. Depois de 10 ou 12 horas de trabalho, mais de 50 ou 60 (talvez muito mais!) pontas de cigarros.

E era aquele fedorão impregnado em nós, nos móveis, nas paredes!!! A gente fumava nos carros. O tecido do teto dos carros chegava a ser amarelo. As unhas e as pontas dos dedos amarelavam…

Mas, voltando quatro parágrafos! Fumei por 36 anos. Ou seja: três maços por dia, vezes os 30 dias do mês, vezes os 12 meses do ano, vezes os 36 anos… 38.880 maços de cigarros. Digamos que, hoje, a R$ 7,00 cada maço: R$ 272.160,00. Uma mansão!

 

Registro no Diário de Viamão, em junho de 2015

E a saúde?

 

Antes de eu parar já estava sentindo no corpo os efeitos maléficos da nicotina e da infinidade de produtos agregados ao fumo. Principalmente um problema circulatório que me atingia o coração: sentia fortes dores no peito. Era angina.

Os meus dois tornozelos eram fiéis depositários de toda sorte de poluição que eu jogava no meu corpo a cada tragada. Ambos tinham uma “cinta” escura, quase preta, com uns 10 centímetros de altura.

Quando parei de fumar (veja abaixo como foi!) tomava três medicamentos por dia com a séria recomendação médica para que abdicasse do vício. Ou seja: gastava com cigarros e gastava com remédios!

Meus pulmões nunca apresentaram uma mancha causada pelo cigarro – um milagre, na opinião dos pneumologistas! –, mas minha resistência muscular era quase nula. Praticar certas atividades prazerosas era quase um sacrifício!

 

Outro eu…

 

Passados estes quase 10 anos posso garantir que é “outro Silvestre” quem está contando esta história. Passei a sentir o sabor dos alimentos; passei a sentir o perfume das flores; deixei de ser rejeitado pelas pessoas por causa do mau cheiro.

Meus problemas de saúde ficaram para trás e nem medicamentos tomo mais, já há uns oito anos. Ganhei peso, é verdade, porque passei a me alimentar muito melhor, mas me sinto infinitamente bem para comigo mesmo.

Percebendo esta transformação que a atitude provoca para o bem, ainda no tempo do falecido Orkut comecei a fazer uma contagem quase diária do tempo sem o cigarro, limpo, livre do maldito.

Hoje, no Facebook, mantenho o grupo “Eu deixei de fumar” que reúne fumantes e não fumantes de várias partes do Brasil e até de Portugal. O objetivo é mostrar às pessoas que, sim, é possível parar de fumar.

PARA ACESSAR O GRUPO CLIQUE NA IMAGEM:

E são muitos os exemplos de pessoas que se dizem vitoriosas por terem conseguido se livrar do hábito, e não raro aparecem pessoas pedindo receitas, conselhos, dicas, desesperadas, ansiosas para deixarem de lado o tabagismo.

Não há uma receita, uma fórmula mágica. Cada pessoa é um caso diferente. São muitas as razões mas, fundamentalmente, para que a pessoa consiga se ver livre, ela tem que estar certa que quer parar de fumar. Sem isso, dificilmente conseguirá.

Mas, se eu consegui, todas as pessoas podem conseguir.

Basta querer tanto quanto eu quis!

 

Como eu parei de fumar:

 

Em 6 de junho de 2007…. Invernão de zero grau na rua e eu com 40 graus de febre. Por volta das 3h da madrugada acordei, como de costume, para queimar mais uma taxinha. Não fui para a área de serviço – como sempre fazia – porque estava muito frio. Me enrolei em um cobertor e fui fumar no banheiro.

Acendi, sentei no vaso e deu um estalo: "O que é que estou fazendo comigo? isso é suicídio", pensei…. Abri as pernas, joguei o cigarro dentro vaso e disse a mim mesmo que não fumaria mais. Voltei para a cama e dormi.

No outro dia, pela manhã, eu e minha mulher fomos ao médico. Uma médica. Ela recomendou que eu parasse de fumar e eu disse que já tinha parado. Minha mulher, atrás, deu uma risadinha sarcástica, do tipo "duvido", ou "quero ver até quando"….Foi mais uma motivação para que não voltasse a fumar. O maço de cigarro e o isqueiro ficaram por alguns meses na estante da sala, no lado do televisor…

Nas duas primeiras semanas eu batia a cabeça nas paredes. Também, depois de 36 anos fumando… Depois, vencida esta etapa, a coisa ficou mais fácil de administrar… Mas confesso que por uns seis meses eu levantava da minha mesa e saia para rua, no jornal, levando a mão ao bolso da camisa para pegar o cigarro e o isqueiro. Ato mecânico, sem dúvida….

Hoje, não sinto mais vontade de fumar. Nem me importo que fumem perto de mim. Mas me policio. Evito pegar um cigarro, muito menos brincar que estou fumando. Nunca fiz isso, e tenho medo de uma recaída. Penso que isso é que nem o alcoolismo. Tem que vencer um dia de cada vez. Não é fácil, mas dá para vencer…

Quem deixou, diz o que?

Professora Bauer relata como foi a luta para se ver livre do vício de fumar​

 

Lizi Bauer – Professora, de Torres

“Hoje (14/1) completam-se exatamente 100 dias que parei de fumar, um vício de três décadas. Parece pouco? Pode até ser, mas para quem foi viciada é uma vitória. Além da evidente melhoria na minha qualidade de vida, certamente estou desfrutando de benefícios que nem eu consigo reconhecer. Ao invés de tentar elencá-los, prefiro dizer que hoje carrego comigo um sentimento de liberdade muito grande. Aquela sensação gostosa de estar fazendo o certo, fazendo o que é bom para minha saúde e aos que me são caros. Hoje faço caminhadas e corridas.

Eu sempre dizia: “Tenho que parar de fumar”, porém no íntimo eu não queria. Gostava do cheiro do cigarro e o prazer de fumar, mas detestava o bafo de cinzeiro após apagar o cigarro. Porque é exatamente isso: fedemos como cinzeiro, e essa situação estava me incomodando uns dois meses antes de parar. Quando decidi que realmente eu “queria parar de fumar” procurei um médico e este solicitou que eu me desse um prazo para parar – período preparatório.

Isso foi dia 19/9/2016 e me dei o prazo de parar dia 2/11/2016 (pensando em ter tempo maior para fumar mais). O médico fez uma planilha da quantidade de cigarros por semana até chegar à data por mim determinada a zerar e paralela à medicação.

Teria que fazer sessão de hipnose – 15 em 15 dias – valor R$ 690,00 a sessão. Até aí tudo bem. Retornei para casa e pensei: “Por que vou pagar para acabar com esse vício?” Refleti e, decidida a realmente parar, disse:

— Meu afilhado vai nascer dia 26/9/16 e a partir desta data não vou mais fumar.

Comecei a tomar o remédio e adesivos usei apenas três e muita água. Nasceu João Pedro e eu renasci com ele…. A partir desta data abandonei o vício e até hoje, graças a Deus. Vinha há algum tempo em minhas orações pedindo a Deus que me iluminasse dando-me força para abandonar o gosto pelo cigarro.

É importante “o querer e a vontade de largar” esse vício terrível que nos mata lentamente. Sei que ainda é recente, mas já passei por provas e resisti, aliás, não foi difícil.

Difícil foi tomar decisão certa sem qualquer ajuda. Se eu consegui, você também consegue.  O cigarro é veneno, que nos mata lentamente. Mas somos mais fortes que ele, e o vencemos dia após dia. Deixo aqui as três palavras que me deram alento nesta luta contra o tabagismo. Força Fé e foco."

 

Elisete Freitas Flores – Professora, de Cachoeira do Sul, diretora pedagógica da Apae.

"Comecei a fumar com mais ou menos 13 anos e fumei durante 36 anos. Resolvi parar quando fiquei em um feriado de quatro dias em casa e fumei, direto, seis carteiras, quando me dei conta que estava praticando suicídio.

Acordei no dia 13 de outubro de 2015, decidi que não iria mais fumar e comecei com a seguinte frase: "somente hoje eu não vou fumar". Mas não foi fácil, pois são muitos os sintomas, principalmente a ansiedade.

O que fazer? Não gosto de remédios, então tenho que fazer alguma coisa. Foi aí que surgiram os corações, a manufatura artesanal de corações de tecidos. Costurei e ainda costuro muitos.

Fiz mais de 1 mil para Apae, uns 2 mil para a Liga Feminina de Combate ao Câncer , uns 200 para a escola de Educação Infantil, 200 para o Asilo Nossa Senhora Aparecida e distribuo aos meus amigos, sempre.

Atualmente não sinto mais falta de acender um cigarro, e não deixei de tomar meu chimarrão, café ou cerveja, ou de sair com amigos. E sou tolerante com quem fuma.

O parar de fumar é uma decisão muito pessoal e particular.

Estou muito realizada e feliz comigo mesma pois não é difícil. Basta querer e pensar na qualidade de vida."

Elisete (à esquerda e depoimento acima) e Isab-El (à direita e depoimento abaixo: duas ex-fumantes

 

 

Isab-El Cristina Soares, funcionária pública Municipal, de Gravataí

"Fumei a partir dos 15 anos, ou seja, 39 anos fumando. Fumava muito, em média três a quatro carteiras por dia. Nem na gravidez eu parei. Apenas reduzi a quantidade. Em 2006 fiz uma tentativa para parar.

Fiquei quase um ano, engordei e surtei. Tentei sozinha, só tomando um medicamento por conta própria. Perdi a batalha e voltei a fumar. Durante a última campanha eleitoral o cigarro começou a incomodar. O coordenador da minha campanha não fuma e eu me sentia mal em fumar perto dele.

E estávamos sempre juntos. Então, em novembro, fiz um cálculo que me deixou irada. Fumava quase R$ 900,00 por mês. Como judia! Isso me incomodou muito. Famílias vivem com menos que isso…

Eu querendo comprar um carro e fumando um carro por ano. Estou usando adesivo e quando dá o "desespero", uso o eletrônico, mas já é muito raramente. Não engordei, estou tomando muita água e estou tranquila. Me sinto "cheirosa" , mais feminina e isso termina com qualquer vontade de fumar.

Estou com acompanhamento psicológico e muito tranquila. Não pensei na saúde nem por um momento. Minha saúde sempre foi perfeita, e ainda é. Pensei apenas no bolso. Mas cada um tem seus motivos…"

Direto de Portugal: João Carlos é um dos participantes do grupo "Eu deixei de Fumar", do "além mar"

João Carlos Rapaz Encantado, motorista, de Setúbal, Portugal – (mantida a redação original)

"Comecei a fumar com 18 anos, porque na altura todos os meus amigos fumavam e eu era o único num grupo de 8 que não fumava. Depois tanto insistiram que um certo dia eu disse vou experimentar, o que acabou por ser uma surpresa, pois eu era mesmo contra o tabaco e quem fumava.

Para meu azar a experiência não foi assim tão negativa, e comecei a fumar, na altura Português suave azul, que era uma espécie de LM azul.

Eu gostava de fumar, porque realmente me dava prazer fumar, principalmente depois das refeições, em convívios com os amigos, quando tinha que fazer algum trabalho que exigisse uma maior concentração, o tabaco era muito proveitoso.

Contudo nos últimos anos, a partir dos 26 anos, comecei a notar mais diferença na minha saúde, principalmente o cansaço psicológico e físico, notava que estava envelhecendo cada vez mais, e comecei a vir com a ideia de deixar de fumar, mas era muito doloroso e voltava sempre.

Quando fiz 30 anos, tive um momento que para mim foi fulcral. Eu trabalhava perto de uma zona que tinha umas 20 escadas, e eu precisava subir elas para poder chegar ao café onde eu tomava o pequeno almoço.

Num certo dia vi um senhor subir aquilo tudo com a maior das facilidades. Subi os primeiros 10 degraus, parei a meio e tomei consciência da dificuldade que aquilo tinha para mim. Aos 30 anos de idade, eu não podia dar uma corrida sem estar completamente cansado. Tomei consciência que estava morrendo aos poucos.

De tudo o que eu sofri e não desejo a ninguém nos primeiros 8 meses que deixei de fumar, nada é comparado a felicidade que eu hoje sinto. Tenho a felicidade de, todos os muitos problemas que eu já tinha com 30 anos hoje, aos 32, não ter mais.

E estou a ser realmente sincero, eu tinha problemas de tosse e respirava mal quando ficava doente. Era demais, intestinos e estômago, qualquer coisinha estava de diarreia e a passar mal, pontadas nas costas, dores no peito. Eu estava sempre muito cansado e sem energia."

 

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