Vítimas fatais da covid-19 precisarão ser cremadas após velórios em caixões fechados e com rodízio de familiares em Viamão, conforme protocolo de ‘Manejo de Corpos’ informado pelo Ministério da Saúde aos prefeitos brasileiros nesta quarta-feira (8).
O Centro de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Estado também divulgou a nota técnica ‘Medidas de Biossegurança em Estabelecimentos de Saúde, Funerários e Congêneres e Cuidados Após a Morte’.
O Diário de Viamão ainda teve acesso a ordem judicial em que, além da determinação para cumprimento de “procedimentos excepcionais para sepultamento e cremação de corpos durante a situação de pandemia”, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul solicita a criação de e-mail para encaminhamento à Corregedoria-Geral da Justiça de dados de mortos em decorrência do coronavírus - e vale pra Viamão também.
Além de regras de distanciamento nos velórios, o Ministério da Saúde exige o uso de roupas especiais para agentes funerários e profissionais que lidam com os cadáveres, orienta a plastificação dos corpos e restringe autópsias a casos com ordem judicial.
Quem quiser acessar o ‘manual’ do MS clique aqui. Para a norma técnica da SES, clique aqui.
O peso das regras ganha toneladas com os protocolos de isolamento de pacientes hospitalizados, detalhado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que você acessa clicando aqui.
Durante a pandemia, a Anvisa orienta pela restrição a visitas não só a pacientes suspeitos ou com confirmação da covid-19. O Hospital de Viamão, tem a entrada restrita, por não ser referência com a Santa Casa e o Clínicas, em Porto Alegre; e o Universitário, em Canoas.
O Conceição, por exemplo, onde profissional da saúde é uma das últimas vítimas da COVID-19, está completamente fechado para visitas.
É a virulência do vírus comprovada pela ‘ideologia dos fatos’.
Na comparação de índices com Porto Alegre, Viamão poderia se declarar ‘território livre do vírus’. Só que a subnotificação fora das capitais é uma realidade do Brasil, cujo SUS não dispõe de testes para além de pacientes com necessidade de hospitalização. Se Porto Alegre registra média de 17,3 casos a cada 100 mil habitantes, Viamão tem 0,01.
Só que especialistas, como Margareth Dalcomo, peneumologista da Fiocruz e a principal referência da área no Brasil, calculam que o cálculo mínimo, para aproximar os municípios da testagem feita pelas capitais, onde está a maioria dos hospitais de referência para tratamento da covid-19, é de 1 para 30.
Aplicando a ‘fórmula’ com base apenas nos casos oficiais, Viamão teria nesta quinta 1.320 notificações (eram 44 na quarta), 570 pacientes aguardando resultado de exames (eram 19 ontem), 240 casos confirmados (são 8 até o momento) e 750 descartados (eram 25 na quarta).
Infelizmente, as evidências são de que a subnotificação é ainda maior: estudo do Ministério da Saúde mostra que as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) chegaram a 32.370 em todo o país nos três primeiros meses de 2020. O número é 253% que maior do que no mesmo período do ano de 2019. A média de tempo de internação também é maior nas UTIs. Os indícios são de que é o ‘covid-19, mas como não há testes suficientes...
Chama atenção que a cada boletim a prefeitura atualiza os números de casos consderados como SRAG. São três no último levantanento. Mas se aplicarmos a proporção, pelo menos 90.
Com a relaxada que o governador deu na ‘quarentena’ para o comércio vender chocolates e o povo fazer barba e pintar cabelos – e vem mais por aí com a chegada das datas definidas por Eduardo Leite para liberar geral – no abril que é apontado pelo Ministério da Saúde como o pico do contágio, será inevitável experimentarmos a angústia da incerteza sobre o momento em que teremos um rosto familiar, ou da vizinhança, o primeiro corpo, plastificado dentro de um caixão fechado, e velado familiar por familiar antes de se tornar cinzas de cremação.
Ao fim, apelo: fique em casa! Aos adeptos do ‘liberou geral’, já fiéis da cloroquina e do messianismo da ‘cura’, recomendo ler o manual para Manejo de Corpos no Contexto do Novo Coronavírus.
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